Palestra aborda o desaparecimento de bens culturais em Ouro Preto

Nessa segunda-feira, 29 de fevereiro, o promotor de Justiça Marcos Paulo de Souza Miranda, coordenador da Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais proferiu a palestra Os tesouros desaparecidos de Ouro Preto, no Museu Casa dos Contos.

Em sua fala, o promotor de Justiça abordou o desaparecimento, em 1913, da planta da Igreja de São Francisco de Assis, de autoria de Aleijadinho; a subtração, em 1932, de um recibo de Aleijadinho sobre serviços realizados para a Igreja de Mercês e Perdões; furtos de peças sacras nas igrejas de São José, Padre Faria e Amarantina ocorridos na década de 1980 e o furto do chafariz do Jardim Botânico no ano de 2005.
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A palestra foi finalizada com uma exposição sobre o furto ocorrido na Igreja do Pilar, em 1973, quando quinze peças de ouro e prata integrantes do museu de arte sacra do templo foram subtraídas na madrugada do dia 2 de março.

De acordo com Marcos Paulo, “o furto é considerado o mais duro golpe no patrimônio cultural sacro de Minas Gerais por ter sido cometido dentro da Matriz de Ouro Preto, com a subtração de objetos do início do século XVIII, de grande valor artístico e econômico”.

Foram apresentados documentos inéditos da investigação criminal realizada à época e uma hipótese, com base em documentação, sobre o possível paradeiro das peças.
Cerca de cem pessoas, entre estudantes, museólogos, historiadores, restauradores, religiosos, professores, servidores e membros do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e do Poder Judiciário participaram do evento.

Campanha
A iniciativa integra a campanha desenvolvida pela Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais que objetiva a recuperação de bens sacros desaparecidos, que conta com a exposição itinerante “Em busca do patrimônio perdido”, lançada em Belo Horizonte em agosto de 2015 e atualmente está em cartaz na Casa dos Contos.

De lá, a exposição irá para a Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar, também em Ouro Preto. O material ficará exposto na nave do templo, favorecendo o contato com os fiéis e estendendo a circulação da informação ao ambiente religioso.

O objetivo do MPMG é que o material da exposição – fotografias dos bens desaparecidos – possa ser visto pelo maior número de pessoas, ampliando a possibilidade de recuperação das peças subtraídas.

Números
Segundo estatísticas, Minas Gerais já perdeu mais de 60% de seu patrimônio cultural sacro em decorrência de subtrações e alienações ilícitas.
Atualmente o MPMG realiza investigações objetivando resgatar 704 peças sacras retiradas ilicitamente das igrejas, capelas e museus mineiros.

By |2016-10-31T12:58:22+00:00março 2nd, 2016|Palestras|0 Comments

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