Quinze objetos foram subtraídos e há indícios de que tenham sido enviados para a Europa

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais, entregou nesta quarta-feira, 6 de abril, à Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) fichas contendo a descrição de sete peças sacras furtadas da Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, em Ouro Preto. A entrega foi feita pelo coordenador da Promotoria, promotor de Justiça Marcos Paulo de Souza Miranda, à delegada federal Fátima Zulmira Rodrigues Bassalo.

O MPMG solicitou a inserção das informações na base de dados de bens desaparecidos e procurados pela Interpol, denominada “Lista de difusão branca”, que busca a localização de objetos de alto valor roubados, incluindo obras de arte.

A expectativa é de que, em 15 dias, as imagens já estejam disponíveis para consulta e busca pelos 190 países membros da Interpol, no site da organização, ampliando significativamente a possibilidade de recuperação.

A iniciativa se deu em razão de ter sido constatado recentemente pelo Ministério Público que as peças não estavam inseridas no cadastro internacional e de terem sido descobertos indícios de envio dos objetos para Lisboa, em Portugal.

Foram enviadas fotografias, descrição detalhada e dimensões de uma urna de metal dourado da Irmandade do Santíssimo Sacramento, de um cálice custódia, de três cálices tradicionais e de duas coroas.

O furto
O crime ocorreu no dia 2 de setembro de 1973, ocasião em que 15 peças sacras foram levadas. À época, as investigações foram conduzidas pela Delegacia de Furtos e Roubos de Belo Horizonte e, em 1978, houve proibição, pela censura federal, da divulgação de qualquer informação sobre o crime.

O furto é considerado um dos mais duros golpes no patrimônio cultural sacro de Minas Gerais, tendo em vista ter sido cometido dentro da Matriz de Ouro Preto, a principal Vila do Ouro do Estado, com a subtração de objetos do início do século XVIII, de grande valor artístico e econômico.

Perdas
A Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais estima que o estado já tenha perdido 60% dos seus bens sacros em razão de furtos, roubos e apropriações indevidas. “É preciso que o cidadão desperte sua atenção para o tema, pois esse patrimônio integra uma parcela importante da herança cultural dos mineiros e deve ser protegido e fruído por todos”, afirma Marcos Paulo de Souza,

Segundo o promotor de Justiça, a subtração de peças sacras movimenta um comércio ilegal altamente rentável e o prejuízo para o patrimônio cultural é incalculável. O comércio clandestino de bens culturais só está atrás, em volume de dinheiro movimentado, do tráfico de drogas e de armas. As peças desaparecidas podem estar em qualquer lugar: antiquários, residências particulares, à venda em leilões e até mesmo pela internet.

Exposição
Está instalada, atualmente, no interior da Matriz do Pilar de Ouro Preto a mostra

A exposição, que ficará em cartaz até o dia mês de julho, apresenta 22 painéis e totens informativos com fotos encaminhadas por diversos municípios mineiros para o MPMG, com imagens de bens sacros que foram desviados de suas comunidades e que ainda não foram encontrados.

Denúncia
Qualquer informação sobre o paradeiro de peças sacras furtadas pode ser encaminhada para a Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais pelo e-mail cppc@mpmg.mp.br, pelo telefone (31)3250-4620 ou para o endereço Rua Timbiras, n.º 2941, Bairro Barro Preto, CEP. 30140-062, Belo Horizonte – MG.