No dia 31/05/2017  foi realizada vistoria conjunta no Paleotoca da Serra do Gandarela, contando com a presença da Coordenadora das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e turístico, Drª. Giselle Ribeiro de Oliveira; da analista do Ministério Público, a historiadora Neise Mendes Duarte; de representantes do Instituto Prístino, Flávio Fonseca do Carmo, Felipe Fonseca do Carmo e Luciana Kamino e de representantes do Cecav, Mauro Gomes e Darcy José dos Santos.

O objetivo da vistoria conjunta foi  conhecer a paleotoca da Serra do Gandarela,  compreender a  integração com o Parque Nacional e discutir possibilidades para sua salvaguarda e preservação in situ.

Verificou-se que a paleotoca está muito próxima à estrada que parte do município de Rio Acima, o que a torna, segundo os técnicos do Cecav, uma cavidade bastante exposta. No entanto, sua entrada é estreita, o que dificulta um pouco o acesso ao seu interior.

Segundo informações de Flávio do Carmo, a paleotoca da Serra do Gandarela trata-se de uma cavidade de alta relevância, sendo uma ocorrência única na região do Quadrilátero Ferrífero. Chama a atenção pela sua extensão (mais de 300 metros de comprimento), sendo a maior paleotoca conhecida até o momento.

No interior da paleotoca do Gandarela é possível identificar marcas de garras produzidas por vertebrados da megafauna extinta, no caso em questão, do tatu gigante.

De acordo com Ruchkys, Bittencourt e Buchmann1, a paleotoca é um importante sítio geológico, paleontológico e espeleológico, constituindo-se em patrimônio geoambiental do Quadrilátero Ferrífero. Os autores destacam que “a paleotoca apresenta valores científicos e culturais integrando a memória bio/geológica do QF sendo necessária a preservação e integridade de seus valores garantindo a transmissão dos mesmos para as futuras gerações”.

Não obstante toda a relevância científico-cultural da paleotoca, o bem não está inserido nos limites do Parque Nacional da Serra do Gandarela, sendo este um fator preocupante no que diz respeito à proteção do geossítio.

1 –  http://periodicos.pucminas.br/index.php/geografia/article/viewFile/8757/7386. Acesso 1-6-17.