Segundo levantamento, cerca de 700 bens culturais foram retirados de seus locais de origem; população pode ajudar a resgatá-los levando informações ao MPMG sobre paradeiro das peças

Foi aberta nesta quinta-feira, 16 de agosto, na Estação Central da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), situada na Praça Rui Barbosa, no Centro de Belo Horizonte, a exposição “Em busca do patrimônio perdido”. Ela está montada no espaço denominado “Trem com arte”, próximo à escadaria que dá acesso à plataforma, e pode ser visitada das 5h40 às 23h até 31 de agosto.

Promovida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), por meio da Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico (CPPC), e parte das atividades do Dia do Patrimônio Histórico, comemorado nesta sexta-feira, 17 de agosto, a mostra reúne painéis e totens informativos com fotografias de bens culturais mineiros desviados de suas comunidades e que ainda não foram encontrados.

Conforme a promotora de Justiça Giselle Ribeiro de Oliveira, coordenadora da CPPC, além de divulgar a imagem das peças, impedindo seu esquecimento, a iniciativa busca mobilizar a sociedade para que ajude a identificá-las e resgatá-las. “A ideia é popularizar o acesso a essa parte tão importante da história do estado e convidar a população a levar ao MPMG informações sobre o paradeiro das peças, caso as tenha”.

Apesar de Minas Gerais ser o estado com o maior número de bens culturais protegidos, a estimativa da CPPC é que 60% de seu patrimônio cultural, ou cerca de 700 peças, estejam desaparecidos.

Tristeza

O despachante Rondinelli Ferreira esteve na abertura da exposição e lamentou o desaparecimento de tantas peças. “Infelizmente não podemos ver mais essas obras em seus locais de origem. Meus filhos e meus netos não poderão vê-las. É uma grande perda para Minas e para nós, mineiros. Espero que as pessoas que estejam com essas peças se sensibilizem e as devolvam, para que elas continuem contando a nossa história”.

A passeio na capital mineira, a professora belorizontina Bernadete Lourdes Overbeek, que mora há 30 anos na Holanda, levou o filho holandês, Maarten Jair Overbeek, de 9 anos, para visitar a exposição nesta quinta-feira e conhecer mais da história e da cultura de Minas Gerais e do país. “É uma tristeza muito grande para nós, brasileiros, essa realidade de peças furtadas. O Brasil é um país extremamente rico e precisa aprender a valorizar e cuidar dos seus pertences, como os países europeus fazem”.

Para a professora, a exposição foi um presente especialmente para o filho. “É uma grande oportunidade para ele, nessas férias, ver tantas imagens e informações sobre a cultura mineira em uma mostra”.

Percurso

A exposição “Em busca do patrimônio perdido” foi inaugurada em 22 de agosto de 2015, no Museu Mineiro, em Belo Horizonte. Em 2016, instalou-se em Ouro Preto, inicialmente na Casa dos Contos e, posteriormente, na Igreja Matriz de Nossa Senhora do Pilar, registrando mais de 46 mil visitantes. No ano passado, ela seguiu para o município de Conselheiro Lafaiete, onde pôde ser vista no Centro Cultural Solar do Barão de Suaçuí.

Montada com base em banco de dados criado pela CPPC em 2015 e premiado pelo Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), a mostra foi a ganhadora do Prêmio Nacional de Comunicação e Justiça 2016, na categoria Inovação.

A cidade que tiver interesse em recebê-la deve entrar em contato com a Promotoria Estadual de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico, pelo e-mail seccultural@mpmg.mp.br.

A exposição conta com o apoio do MP Cultural.

Em busca do patrimônio perdido
De 16 de agosto de 2018 a 31 de agosto de 2018
Horário: 5h40 às 23h
Local: Praça Rui Barbosa, s/nº – Centro. Espaço “Trem com arte”, próximo à escadaria que dá acesso à plataforma.
Entrada gratuita
Informações: (31) 3769-2600