MPMG recebe dossiê de tombamento de Bento Rodrigues produzido pela UFMG

Na última sexta-feira, 24 de maio, na Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a promotora Giselle Ribeiro de Oliveira, coordenadora das Promotorias de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), recebeu um dossiê de tombamento da região de Bento Rodrigues produzido por pesquisadores da universidade.

O dossiê é fruto de pesquisa realizada durante três anos no sítio de Bento Rodrigues, local que foi atingido pelo rompimento da barragem da Vale no município de Mariana, em 2015. O desastre ambiental causou danos irreparáveis à região, e o dossiê, que possui mais de 400 páginas com fotos, depoimentos de moradores, dados, análises e impressões dos pesquisadores que trabalharam no projeto, tem o propósito de servir de embasamento para o MPMG pleitear eventual tombamento de Bento Rodrigues, fazendo do local “um sítio de memória sensível”.

A promotora Giselle Ribeiro ressaltou a satisfação de receber um “trabalho de tamanha relevância social e cultural”, agradeceu o cuidado dos envolvidos na pesquisa, bem como assegurou que o Ministério Público vai trabalhar “incessantemente” para proteger o patrimônio Cultural de Bento Rodrigues. “Para mim, que sou filha da UFMG, é um prazer ver que a universidade segue cumprindo o seu papel social, que é de entregar conhecimento, produzir pesquisa e contribuir para a preservação das memórias da nossa sociedade”, comentou.

Download do Dossiê



2015: O ANO EM QUE A VILA DO BENTO MORREU

Conselho Municipal do Patrimônio Cultural COMPAT
Mariana – Minas Gerais

Zelando pela nossa História

Matéria original: clique aqui

O arraial de Bento Rodrigues nasceu da garimpagem do ouro.
Bento Rodrigues, o paulista que lhe deu o nome, chegou à região do Mata-Cavalos em fins do século XVII e, percorrendo o Ribeirão do Carmo, fundou vários assentamentos de garimpo.
Um deles, que recebeu o seu nome, cresceu, tornando-se em um centro minerador importante na região da Vila do Carmo, tanto que em 1723 os seus moradores contavam com 355 escravos, 18 vendas e com uma produção de ouro na ordem de 1,072 ¼ oitavas de ouro.
Por volta de 1718 foi construída a sua igreja, dedicada a São Bento, e logo depois outra maior, tendo como titular a Virgem das Mercês.
Entre 1755 e 1808 o arraial esteve subordinado a Camargos que, fundado em 1698, foi a partir dessa data elevado a paróquia de instituição episcopal e depois obteve natureza colativa em 1755.
Em Bento Rodrigues estiveram e a ele se referiram o naturalista francês Saint Hilaire (1816-1922) e o médico e botânico inglês George Gardner (1836/1841).
Na tarde do dia cinco de novembro de 2015 a barragem de rejeitos do Fundão, pertencente à SAMARCO Minerações que ali explorava minério de ferro, rompeu-se.
Milhões de metros cúbicos de lama varreram os mais de trezentos anos de história de Bento Rodrigues em poucos minutos. Sobraram poucas casas. A Igreja das Mercês, postada em um elevado, ficou.
A Igreja de São Bento, porém, desapareceu no aluvião, levando junto dezenove vidas: adultos e crianças.
A enxurrada de lama e morte se alastrou, invadindo Águas Claras, Ponte do Grama, Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo, Pedras, até a cidade vizinha de Barra Longa. De lá, inundou o Rio Doce prosseguindo até o mar, constituindo-se no maior desastre ambiental já visto no Brasil.
O arraial de Bento Rodrigues nasceu sob o signo da extração do ouro, num distante dia do final do século XVII.

A mesma ânsia mineradora matou-o em poucos minutos, a cinco de novembro de 2015.

O Bento Rodrigues de antes da tragédia…
…e o seu DEPOIS.
A Igreja de São Bento, Patrimônio Cultural Perdido.
Fotos, agora raríssimas, do Retábulo-Mór da Igreja de São Bento.
Imagem de Sant’Ana com Menina, do Séc. XVIII, também desaparecida no desastre.
Imagem de São Bento, Séc. XVIII, igualmente levada pela aluvião de lama.