Chácara dos Inconfidentes2016-11-24T18:14:45+00:00
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Chácara dos Inconfidentes, Ouro Preto

Conhecida como “Casa dos Revoltosos”, “Chácara Boa Vista” ou “Casa dos Inconfidentes”, o imóvel esteve em ruínas por longo período, mas resistiu às intempéries cristalizando-se, no imaginário coletivo, como mais um dos símbolos da Conjuração Mineira, uma vez que pode ter sediado reuniões dos envolvidos no famoso episódio.
Embora nenhum documento ateste que a mencionada casa fizesse, realmente, parte do roteiro freqüentado pelos líderes do movimento libertário, alguns historiadores afirmam que o imóvel pertenceu a José Álvares Maciel, natural da Santa Maria Maior, Arcebispado de Braga, Portugal, que veio para o Brasil aos treze anos e, depois de passar pela Bahia e pelo Rio de Janeiro, fixou residência em Vila Rica (atual Ouro Preto, MG), onde se casou com Juliana Francisca de Oliveira e galgou ilustre carreira, chegando a ocupar, no século XVIII, o importante cargo de Capitão-mor.
De acordo com Tarquínio Barbosa , a Casa dos Inconfidentes não possui nenhuma relação com o movimento político, o que, certamente, merece o benefício da dúvida, uma vez que, segundo o mesmo autor, o imóvel pertencia a José Álvares Maciel, cujo filho, seu homônimo, e o genro, Francisco de Paula Freire de Andrade, estavam dentre os principais líderes do movimento.
José Álvares Maciel, o filho, teve participação fundamental na idealização da Inconfidência Mineira, modernamente chamada de Conjuração . Natural de Vila Rica, foi batizado na capela de Santa Quitéria, freguesia de Nossa Senhora do Pilar, em 1º de maio de 1760, bacharelou-se em Filosofia Natural (Ciências Naturais) pela Universidade de Coimbra, após o que seguiu para a Inglaterra, local em que aperfeiçoou seus estudos acerca das siderurgias e manufaturas e manteve contato não apenas com industriais e técnicos, mas também com as ideias do liberalismo e da maçonaria.
Entre 1787 e 1788, em nova viagem à Coimbra, encontrou-se com José Joaquim da Maia, que conseguira do Embaixador dos Estados Unidos na França, Thomaz Jefferson, a promessa de apoio às aspirações de libertação dos brasileiros. Após inúmeras andanças pela Europa, Maciel regressou ao Rio de Janeiro em meados de 1788, transferindo-se, posteriormente, para Vila Rica, onde logo se integrou ao grupo idealizador da Inconfidência Mineira.

A utopia de conquistar a independência teve curta duração para os idealistas de Vila Rica. Antes de concretizar o sonho de liberdade, os inconfidentes foram denunciados. O jovem Maciel, acusado como um dos líderes do movimento, apenas um ano após regressar à terra natal foi preso, em 28 de junho de 1789, e levado para a Fortaleza de São Francisco Xavier da Ilha de Villegagnon, no Rio de Janeiro, onde permaneceu até maio de 1792, quando de seu degredo para Angola. Depois de cumprir pena, tornou-se representante comercial dos negociantes de Luanda e proprietário de uma pequena siderurgia na localidade de Trombeta, Província de Itamba. Faleceu em março de 1804 ou 1805.
O outro inconfidente a guardar relação com a Casa dos Inconfidentes é o Tenente-Coronel do Regimento de Dragões de Minas Gerais, Francisco de Paula Freire de Andrade, que se casou com D. Isabel Carolina de Oliveira Maciel, filha de José Álvares Maciel, pai.

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Nascido em 1752, no Rio de Janeiro, era filho do 2° Conde de Bobadela, o Coronel José Antônio Freire de Andrade, que governou a Capitania mineira entre 1752 e 1758. Apesar do seu altíssimo posto militar, participou da conspiração republicana não apenas como idealizador, mas patrocinando-a e franqueando sua casa para ali se reunirem os conjurados. Quando descoberta a conspiração, Paula Freire foi preso e sentenciado à morte, como Tiradentes, mas teve sua pena comutada em degredo para Moçambique, onde aportou em 1792. Apesar do seu grande desejo de retornar à pátria, não pôde realizá-lo, pois só teve licença para fazê-lo em 1808, ano em que faleceu.
Como se vê, comprovando-se que a Casa dos Inconfidentes pertenceu mesmo ao Capitão-mor José Álvares Maciel, é inevitável relacioná-la ao movimento inconfidente, pois, ainda que as reuniões do grupo não ocorressem no local, sendo os inconfidentes Álvares Maciel e Paula Freire membros do núcleo central da família do proprietário, seriam também, certamente, freqüentadores do imóvel.
Abandonada e em estado de total declínio, a propriedade, então constituída por “uma casa e terreno, conhecido por Chácara dos Inconfidentes ou Boa Vista, no caminho de Saramenha (…) medindo 60 palmos de frente e 100 de fundos, em ruínas, com água própria, terreno alcantifado e com pasto cercado” , em 1929 pertencia à Empresa Industrial de Melhoramentos no Brasil, instituição que, reconhecendo a importância da edificação para o patrimônio cultural, resolveu doá-la ao município. Tal doação se concretizou em 27 de junho de 1930, como revela documento anexo à escritura, por meio do texto abaixo transcrito:

sabendo que [era] desejo da municipalidade conservar essa propriedade histórica, e não tendo representante em Ouro Preto que se [encarregasse] da conservação do imóvel mantendo essa relíquia em condições desejáveis, resolveu dar a propriedade à Municipalidade de Ouro Preto, crendo assim ir ao encontro dos desejos do povo dessa histórica cidade .

A primeira reforma de que há registros ocorreu em 1970. Assim que terminada, a casa foi alugada por longos períodos até que passou a funcionar como hospedaria destinada a convidados da Prefeitura
A segunda reforma, já em 2009, foi desenvolvida pela então Secretaria Municipal de Patrimônio e Desenvolvimento Urbano, e conta com projeto que apresenta memorial descritivo confirmando tratar-se de imóvel no século XVIII, como se lê abaixo:

Construída no séc. XVIII, a casa da Chácara das Boas Vistas¨, chamada também dos Inconfidentes, em Ouro Preto, sofreu várias intervenções até os dias de hoje, sem contudo desfigurar seu partido original e seu sistema construtivo.

Fonte: Museu Casa dos Inconfidentes

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