Fazenda da Laje, Resende Costa

A Fazenda da Laje está localizada na sede atual do Município de Resende Costa. Sua existência parece ter antecedido ao Arraial, antes conhecido como Nossa Senhora da Penha do Arraial da Laje (1). O povoamento da região teria se originado no cruzamento de duas estradas, que ia de Goiás ao Rio e a outra ligava o sul ao norte da capitania. Após a inauguração da (primeira) capela de Nossa Senhora da Penha de França (igreja filial da matriz de São João Del Rei), construída em 12.12.1749, por João Francisco Malta, foram edificadas oitos casas, que pertenciam a fazendeiros que as ocupavam em dias de festas, e datas religiosas, sendo as casas mais antigas as de José Resende Costa e do Padre Carlos Correia Toledo.
Segundo Helena Teixeira, um de seus primeiros proprietários João Francisco Malta residiu nela por um tempo até a fazenda se tornar propriedade do inconfidente Coronel Francisco Antonio de Oliveira Lopes e sua esposa Hipólita Jacinta Teixeira Melo, que além desta possuíam também a fazenda Ponta do Morro, no atual município de Prados.

No registro do sequestro de bens consta que a fazenda tinha:
casa térrea e engenhos de pilões de socar farinha, paiol com moinho aparelhado com pilões, tudo coberto de telha e mais senzalas cobertas de capim, murado o terreiro de pedra com todos os seus pertences de capoeiras e campos e mais logradouros e águas para engenhos e moinhos […]

Ainda que de caráter genérico tais informações são importantes evidências que remetem a um contexto arqueológico a ser considerado. São indicadores de uma unidade produtiva na qual se processava a transformação de produtos através de uma infraestrutura (engenhos e moinhos) da qual os remanescentes ainda se encontram no sítio.
Por outro lado a referência a “senzalas cobertas de capim” indica a categoria social que foi a base da mão-de-obra utilizada na sociedade das Minas no contexto da colonização setecentista.

(1) Nome da cidade alterado de Nossa Senhora da Penha do Arraial da Laje para Vila Resende Costa, pela lei estadual nº 556, de 30-11-1956.

Fonte: Laboratório de Arqueologia da Fafich/UFMG